Páginas

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Guia Politicamente Incorreto da Guiana

Sempre sonhei em sair do Brasil.

Na minha listinha imaginária de países que quero conhecer, por ordem alfabética a Letra G começaria com a Grã-Bretanha. Logo após viria a Groenlândia e depois Grécia, Guatemala, Guiné-Bissau, Gâmbia, Gabão... Na falta de coisa para colocar, eu inseriria até mesmo a desconhecidíssima Geórgia e inadvertidamente escreveria Germany, mesmo não sendo exatamente com esse nome que nos referimos a esse país em português.

Só depois de muito pensar é que eu lembraria da Guiana.

Digam ao Judas para ficar tranquilo, já encontrei as botas dele!

Contudo, as coisas nunca acontecem do jeito que a gente imagina que elas vão ser. A começar por uma viagem às pressas que tive de fazer para Roraima. Em pleno extremo norte brasileiro, o que eu iria fazer? Fui sem planos e acabei descobrindo por lá uma maneira simples e barata de ir à Guiana. Tão perto geograficamente e tão longe dos meus planos, acabei acatando a ideia de cruzar essa bizarra fronteira. E mal sabia no que eu estava me metendo...

Essa é a história de como entrei clandestinamente em um país dentro do porta-malas de um carro, fugindo da polícia e de taxistas agressivos, morrendo de sede e quase sem dinheiro no bolso. 

A bicicleta eu explico depois.

140 km/h com um bonequinho desse como companhia. Credibilidade 100%.

Saí de Mucajaí por volta das 6h da manhã em um táxi rumo à capital roraimense. Uma viagem de aproximadamente 50 km, realizada em pouco menos de 40 minutos - e não, não fiquei rico. Por "táxi", leia-se "táxi compartilhado/lotação", onde carros de passeio cumprem a função do transporte público. O preço da viagem é de R$10, mais caro do que o ônibus, que custa R$6,50. Mas como o primeiro horário era somente a partir das 10h, optei pelo táxi mesmo. Às 10h eu já queria estar em solo guianense.

Não basta ser Rodoviária, tem que ser Rodoviária INTERNACIONAL.

Assim que cheguei, fui direto ao guichê da empresa Amatur, que faz a ligação entre Boa Vista e Bonfim, última cidade do Brasil antes da fronteira com a Guiana. Estava ainda com R$50 no bolso e alguma sorte, já que o ônibus para Bonfim partiria às 07h. Faltavam poucos minutos, então comprei logo minha passagem ida-e-volta com desconto. O trecho custa R$18,50, mas comprando as duas de uma vez sai a R$13,50 cada um.


Foi com certa surpresa que subi no veículo contratado, um ônibus double deck com vista panorâmica, com ar-condicionado e cadeiras reclináveis em leito. Não esperava tanto! Tanto conforto assim seria necessário, afinal, seria uma viagem de mais de 2 horas em 125 km de uma estradinha de mão-dupla, estreita e remendada numa paisagem monótona.

Vista da Ponte Macuxi, a única coisa diferente do caminho.


E lá vamos nós seguir pela BR-401, a Infinita Highway...


Pelo menos o sol começou a aparecer a partir da metade do caminho.

Após duas horas que pareciam não passar nunca, o ônibus faz sua primeira parada em uma birosca no meio do caminho. "Pessoal, cinco minutinhos pra descer, ir no banheiro, beber uma água. Aproveitem agora porque em Bonfim não tem nada", informa o motorista.

Na verdade é pra chorar.

Achei graça do aviso. Como assim "não tem nada" em uma cidade fronteiriça? Vai dizer que não tem nada em Paracaima, Foz do Iguaçu ou Santana do Livramento? Mesmo com bastante sede, optei por não comprar nada ali. Eu esperaria chegar na cidade, onde certamente haveria um lugar para comprar alguma coisa.


Mas infelizmente não era exagero do motorista.

Alguns minutos após a parada o ônibus chegou na rodoviária - praticamente a única construção da cidade.

A Rodoviária e uma casa amarela. Parabéns, você já conhece Bonfim.

Só agora eu notava a malícia de quem batizou a cidade. "Bonfim", que sacada genial cheia de ironia. Assim que o ônibus parou, algumas pessoas desceram e uma horda de mulheres falando em português e depois em um inglês com sotaque crioulo entraram. Estavam vendendo passagens para Georgetown, capital da Guiana, a 16.000 dólares guianenses - o equivalente a R$160,00.  

O transporte se dá em navetes, que nada mais são do que vans caindo aos pedaços dispostas a enfrentar os mais de 400 km que separam as duas cidades em uma estrada de terra complicada e cheia de buracos. A viagem dura em média 20 horas, mas em algumas estações pode durar vários dias! Coragem para quem vai, eu não iria dessa vez.

A grande dica aqui é NÃO DESCER NA RODOVIÁRIA. O mesmo ônibus que leva até a cidade também leva até a fronteira, alguns quilômetros a frente. É só esperar um pouco.

Posto Avançado da Polícia Federal e táxis brasileiros.

Assim que desci do ônibus, fiz amizade com Seu Antônio (vulgo "Camelo"), um paraibano de João Pessoa com sotaque carregado e cheio de experiência de vida; e também D. Shirlei, uma senhora magricela e tímida, com seus quase 70 anos, que gosta de "sair de casa de vez em quando pra ver coisas novas". Combinamos então de ficarmos juntos e procurarmos um táxi que atravessasse a ponte e nos levasse até Lethem, a primeira cidade do lado da Guiana.

Já havia lido relatos na internet de gente que havia pago entre R$20 a R$10 pela travessia - que é curtíssima e não vale tudo isso. Minha ideia original era chegar até a fronteira e alugar uma bicicleta, ou pelo menos pegar uma emprestada com alguém e atravessar a ponte pedalando. A questão é que, como eu havia acabado de descobrir, NÃO TEM NADA EM BONFIM. Poderia ter ido a pé, mas o ambiente parecia esquisito e também não quis perder a companhia dos meus novos amigos.

Os taxistas cobraram-nos R$10 por pessoa. Fiquei feliz por não ter sido o único a achar caro e logo fomos procurar outra opção. Calhou que nessa hora um carro da Guiana surgiu para buscar alguns passageiros guianenses. Fomos perguntar ao motorista quanto ele nos cobraria, mas ele não entendeu a pergunta. Óbvio, perguntamos em português mas na Guiana se fala o inglês! Mal abri a boca quando me surpreendi com o creole English indefectível de D. Shirlei. Ele cobrou R$10 por pessoa, mas nossa amiga negociou para R$5 e ele topou. 

Quando ainda estávamos conversando, um truculento taxista brasileiro acompanhado de outros colegas começa a reclamar e querer arranjar confusão. Chegou a pegar o motorista guianense pelo braço. "É proibido, vou chamar a polícia, não pode ir com ele não e nem pode cobrar menos de dez reais!", esbravejava o homem, para desespero nosso e susto do coitado do pobre homem da Guiana.

Camelo foi tentar apaziguar os ânimos e, enquanto isso, D. Shirlei falava baixinho e incompreensivelmente com o motorista que ainda nos esperava. Ele deu partida e lentamente começou a dirigir enquanto eu, vendo a cena, falei para os brasileiros: "Ok, nem ele nem vocês, a gente vai a pé, obrigado!".

O que eu não imaginava é que a espertíssima D. Shirlei já havia combinado tudo. De costas, ela disfarçou o máximo que pôde e falou: "Ele vai pegar a gente na ponte... Corre!".

E não é que aquela senhorinha frágil e indefesa corria igual a um etíope da São Silvestre? Quando vi, ela já estava dentro do carro. Andando rápido, olhei para Camelo, que ainda não entendia nada e gritei "Bora pra ponteeeee!".

Os taxistas brasileiros, percebendo nossa intenção, começaram a correr atrás da gente também, xingando até a nossa última geração. O guianense dirigia como um louco e cantava pneu, já estava muito próximo da entrada da ponte. Não teríamos tempo para abrir a porta do carro e tomar assento, os brasileiros malvadões alcançariam a gente e sabe-se lá o que poderiam fazer. Nessa hora, incrivelmente a tampa do porta-malas se abriu. Só deu tempo de fazer contato visual com Camelo e, num olhar, decidir nosso destino. Iríamos para Lethem, baby!


"Hurry up, Hurry up", clamava nosso Michael Schumacher da Guiana. Só deu tempo de entrar de qualquer jeito no porta-malas, fecharmos a tampa e assistir da janela os brasileiros revoltados ficando pequenininhos conforme o carro acelerava em direção à ponte. Eles estavam possessos, mas em questão de minutos aprenderam o que muita gente leva anos para aprender na faculdade: A Lei da Oferta e da Demanda!

Guiana: Ex-colônia britânica dirige na mão inglesa!

Atravessávamos a ponte sobre o rio Takutu e eu mal acreditava: Já estávamos fora do Brasil!



Mais a frente, algo me chamou a atenção: Era a Imigração da Guiana! Eu estava com tudo certo, passaporte e carteirinha da Anvisa (provando que eu tomei a vacina da Febre Amarela, uma exigência deles), teoricamente nada me impediria de entrar no país... Exceto o inusitado fato de estar parecendo um mexicano tentando entrar ilegalmente nos EUA, espremido no porta-malas de um carro com um paraibano que apontava sua câmera bem para os guardas da imigração.


Os guardas notaram a câmera de Camelo e vieram em nossa direção. O ambiente parecia intimidador, me lembrou um pouco os famosos checkpoints israelenses da Palestina. Conforme iam se aproximando, faziam sinal para que abaixássemos imediatamente a câmera. Camelo teve o bom senso de desligá-la e mostrar o visor preto aos guardas, enquanto eu, me tremendo de medo, informava aos berros: "It's not working, sir, it's broken, it's turned off!!".

Então eles pararam bem em frente ao porta-malas do carro, deram uma olhada rápida e, de maneira nada hostil, fizeram o sinal universal de vassourinha com a mão, que seja em português, espanhol ou inglês crioulo só significa uma coisa: "Xispem daqui, vagabundos!"

Adeus chance de carimbar o passaporte. Pelo menos estávamos dentro!

Somente quando vi a bandeira do novo país tremulando é que relaxei. Abandonávamos a imigração guianense e, enfim, pisávamos em terra firme. Estávamos na República Cooperativa da Guiana!


Hora de sair do porta-malas e pisar em solo estrangeiro!

Paramos em frente a um supermercado e, apesar da fome e sede, nem o notamos direito. Fomos andando a esmo e tentando nos situar na peculiar cidade de Lethem.



Longe de mim querer decepcioná-lo, mas essa é Lethem. Um vilarejo de ruas de barro, com lojas espalhadas em um raio de 500 metros, algumas poucas lanchonetes e um hotel deslocado por perto.



O lugar parecia uma daquelas cidadezinhas de filmes do Velho Oeste. Se a colonização fosse americana, ao invés de inglesa, aposto que haveria nas imediações uma decoração especial com direito à figura do Xerife e parques temáticos. Na ausência disso, sobram lojinhas de chineses que vendem todo tipo de produto - aparentemente contrabandeados - a preços atrativos ao consumidor brasileiro, os únicos "turistas" por ali.


Camisas de marca - Ralph Lauren, Hugo Boss, Ferrari e Lacoste - eram encontradas a partir de G$1500, ou R$15 - a conversação dos valores é bem fácil, basta cortar os últimos dois zeros.


Na maioria dos casos nem era necessário realizar a conversão, pois os próprios lojistas já expunham os valores em real. Acima, o par do All Star sendo vendido a R$30. Na mesma loja era possível encontrar mochilas cargueiras The North Fake Face a partir de R$100.

Camisetas femininas: 1 por R$8; 2 por R$15

Roupas, calçados e mochilas; material de pesca e camping, além de bicicletas, eram os principais itens vendidos nos estabelecimentos. Particularmente não achei nada muito excepcional, a julgar pela qualidade dos produtos, que pareciam ser claramente falsificados. Camelo, ao contrário de mim, fazia a festa e em minutos já havia comprado cinco camisetas, uma mochila, uma balança digital (!!), perfumes e outros itens menores. 


Como minha intenção não era a de fazer compras (eu sequer tinha dinheiro pra isso), acabei visitando as lojas apenas para "olhar". Confesso que a única coisa que realmente me chamou muito a atenção foram frasquinhos de pomada Vick Vaporub, que custavam incríveis G$100 (R$1!), 500% mais barato em média do que o preço no Brasil.


Saímos um pouco das lojas e fomos dar mais uma volta na rua em busca de algo para comer.

Comida indiana, mexicana...

Culinária de Trinidad & Tobago, com comidas "Halal" para os muçulmanos.

E é claro, não poderia faltar comida brasileira:



Nos refrescamos com uma Coca-Cola made in Guyana, enquanto Camelo contava suas histórias pitorescas de viagem. O maluco havia passado 80 dias na Índia, mergulhando nas praias de Goa, comendo com a mão no Rajastão e indo à festas em Delhi. Sabia tudo de viagem e, por ter mais experiência, dava dicas relevantes. Como por exemplo, tirar fotos e usar a câmera de maneira discreta. "Estamos em outro país, aqui as leis do Brasil não valem de p#%@& nenhuma", lembrou, enquanto eu novamente olhava ao redor e via uma paisagem mista de Oriente Médio com África subsaariana.


A placa é bonita, já a rua...


Como víamos, realmente não há muito o que fazer em Lethem. O jeito era bater perna e ir admirando a paisagem do horizonte, com as imponentes montanhas Kanuku se destacando no horizonte em meio à savana.

Outro destaque era o povo. Os guianenses têm um inglês que, quando falado, mais parecem estar cantando reggae. São simpáticos, com exceção de alguns poucos mal-educados lojistas. Possuem uma pele bem escura e um jeitão mais caribenho do que latino, propriamente dito.

Olha o naipe do taxista!

As horas passavam e visitávamos mais algumas lojas.



Ainda deu tempo de passar no supermercado e comprar o tal do refrigerante de Banana que Camelo tanto me falava. Produto típico da Guiana, comprei também um macarrão Chow Mein, molho de tomate made in Suriname e uma lata de sardinha importada da Tailândia com o dobro do peso das concorrentes brasileiras - mas pela metade do preço.

Refrigerantes "diferentes"

O mercado é uma atração à parte, tamanha a quantidade de produtos alternativos: Pudim de tapioca, bebidas alcoólicas nacionais, chás pra lá de esquisitos, e muito mais.

Suco Tang por quilo! Nunca tinha visto.

Queria muito um souvenir da Guiana, um imã de geladeira servia. Mas não encontrei em canto algum. Acabei encontrando uma moeda de G$10 no chão - virtualmente sem valor algum, mas que já me serviria de recordação.

Enquanto fazia minhas comprinhas, D. Shirlei me avisou que talvez a fiscalização do lado brasileiro confiscasse alguns dos meus produtos, por medo de que pudessem levar algum tipo de doença ao Brasil. Nada comprovado, mas o temor intenso do governo brasileiro e seus contantes embargos fiscais fez com que o turismo de compras em Lethem diminuísse bastante nos últimos tempos, conforme ela me falava.

Caminhões velhos típicos de Lethem.

A Guiana é um país sofrido. Seu território já pertenceu aos espanhóis, depois aos holandeses e por fim à Inglaterra. E quando não parecia haver mais nada para saquear, vieram os brasileiros atrás do ouro do garimpo - e as brasileiras pelo dinheiro da prostituição. Hoje, são os chineses que invadem essa terra para vender seus produtos. E assim segue a história do país, sendo constantemente explorado...

Aposto que as "ladies" são brasileiras.

O Brasil parece não ajudar em muita coisa. Dizem haver um péssimo costume da imigração brasileira de dedetizar pessoas e carros, com jatos de água, para limpá-las sabe se lá do quê ao sair do lado guianense. A ponte que liga Bonfim à Lethem, inaugurada em 2008 - e que acabou com o emprego dos balseiros que atravessavam o rio - foi feita à revelia do governo guianense, que não teve sequer uma autoridade convidada para sua inauguração.

Isso tudo dá um ar de "terra de ninguém" a esse instigante país, que merecia ser melhor tratado por seus vizinhos.


E lá fomos nós pegar mais um táxi para voltar ao lado brasileiro. Logo apareceu um querendo cobrar R$10. D. Shirlei e Camelo tentavam convencê-lo a fecharmos por R$5 por pessoa, mas ele era irredutível.

Despertei o Gordon Gekko que há em mim e negociei firme. Olhando nos olhos do motorista, falei com sotaque guianense: "My frrrrieend, we've paid five bucks to come heeeere, so we're going to paaaay the saaaame priiiiice to go baaaack, yayyy?"

E como se não sobrasse um pingo de vergonha na minha cara, estendi minha mão até ele e arrematei um "Five real per person, sir. Take it... or leave it. Yayyy?".

Sem muita opção, o pobre do taxista apertou frouxamente o meu dedo mindinho e concordou: Yayyy.

Era hora de voltar pro Brasil-sil-sil.


Que dia! Eu havia acordado às 5h30, às 10h já estava na Guiana e antes das 13h já havia voltado ao Brasil. Havia conhecido uma cultura nova, gente diferente e ainda trazia alguns produtos típicos comigo.

Era hora de - ufa - sentar e descansar.

Não se deixe levar pelas aparências. Eles são viajantes experientes!

O ônibus logo chegaria e voltaríamos para Boa Vista.

Por incrível que pareça, é bom.

Apesar do pouco tempo, atravessar a fronteira da Guiana havia sido uma experiência sensacional. Mesmo com pouca coisa para carregar, sentia que minha bagagem era bem maior do que aparentava ser... Dentro da mochila, mais do que tudo, havia espaço de sobra para encarar novas viagens como aquela!


EPÍLOGO

Você deve estar se perguntando... "Afinal, que foto é aquela de bicicleta na ponte que inicia o post?"

Então, assim que chegamos no lado brasileiro, ficamos aguardando o ônibus chegar. Nesse meio tempo, avistei ao longe um índio pedalando sua velha e enferrujada bicicleta. Ele ostentava uma surrada camisa da Seleção Brasileira e, aparentando estar bêbado, iria atravessar a ponte no pedal. Será que esse cara tinha noção que estava realizando o meu sonho? Pedi para utilizar a bicicleta dele só para "ir do outro lado e voltar", mas logo que a peguei vi que, definitivamente, aquela não seria a única vez que eu cruzaria uma fronteira. Além do mais, eu havia entrado clandestino, dentro de um porta-malas, fugindo de gente truculenta... o que mais eu precisava provar pra mim mesmo?


Pedi então ao cambaleante indígena para que apenas tirasse uma foto minha. Ele tirou várias e foi tão simpático que foi impossível não contribuir com seu sincero pedido: "Me dá um real aí pra eu tomar uma dose na Guiana!".

Se eu, de gargante seca, já estava feliz, imagine como não ficaria contente ele, de bico molhado? Meu amigo índio saiu com um largo sorriso no rosto e a moedinha na mão, não sem antes me cumprimentar com um "soquinho", do qual ele quase erra a mira de tão bêbado. Olhei aquela cena e pensei: Vá em busca de sua felicidade, velho índio. Não somos tão diferentes assim.

Na viagem de volta para Boa Vista, o esperado aconteceu: Uma barreira da Polícia Federal e de órgãos fiscalizadores pararam o ônibus e revistaram tudo. Escondi rapidamente meus produtos - na meia, na calça... - e consegui despistá-los.


Após isso, nenhum outro problema.

GASTOS

R$10,00 - Táxi de Mucajaí à Boa Vista
R$26,50 - Passagem de ida-e-volta para Bonfim
R$10,00 - Táxis ida-e-volta para Lethem
G$200 (R$2,00) - Refrigerante de Banana
G$300 (R$3,00) - Macarrão made in Guyana
G$200 (R$2,00) - Sardinha made in Thailand
G$60 (R$0,60) - Molho de Tomate made in Suriname. Saiu de graça, já que a caixa não tinha troco.
R$1,00 - Cachê do índio fotógrafo.
R$6,50 - Passagem de ônibus de volta para Mucajaí

TOTAL: R$61,00, o valor exato que eu tinha na carteira antes de sair de casa.

Voltando para Mucajaí. Tchau, Guiana! Foi um prazer te conhecer!

12 comentários:

  1. Seems to me like you're bilbo in there and back again!!!

    Miss ya buddy!

    ResponderExcluir
  2. Qro fazer o mesmo, amei teu post.
    Cruze mais fronteiras!!!!

    ResponderExcluir
  3. Esse foi um dos relatos mais loucos, divertidos e inesperados que já li! Quando viajo, tb encontro umas figuras diferentes. Gosto desse turismo "alternativo", seja com relação a lugares, pessoas, locomoções.

    Keep going! Abraço!

    ResponderExcluir
  4. cara adorei o seu poster, preciso falar com vc via bate papo ou whats skype sei la qualquer coisa instantânea, entra em ctto por email comigo timar_brumas@yahoo.com.br

    ResponderExcluir
  5. Cara, sensacional sua jornada...me fez rir bastante aqui no trabalho...uma pena que foi tão rápido. Contudo, considerando que entrou de maneira ilegal, está valendo.

    Parabéns.
    Depois vou ver sua volta ao mundo.

    ResponderExcluir
  6. amigo, sabe se é possível entrar na guiana com carro alugado?
    gostaria de conhecer Kaiteur Falls...

    ResponderExcluir
  7. Amei a postagem... Escreve de uma forma que segura atenção do leitor, parabéns!

    ResponderExcluir
  8. Parabéns... amei o relato e fotos...
    sem falar que é raro textos sobre as Guyanas...
    cicloabraços - joaozinhomenininho

    ResponderExcluir
  9. ¡Parabéns pelas postagens, photografias e blog! ¿0k?
    Sou paulista da Baixada Santista e por enquanto continuo aqui na região Sudeste mesmo, só que no Espírito Santo e um dia tentarei chegar na Guyana Britânica...

    ResponderExcluir
  10. Teu jeito de escrever e a forma que você vê sua viagem é que tornaram ela inesquecível... Simplicidade em pessoa estes três seres... (ou quatro :) ) Tudo de bom

    ResponderExcluir
  11. Nossa cara ri muito da senhora correndo kkkkk

    http://aventurasamazonia.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Comente, sugira, critique!