Páginas

domingo, 24 de novembro de 2013

Férias (4)! Sol e Peixes em Trindade e Ubatuba

Milagrosamente sobrevivemos à nossa segunda tempestade em menos de uma semana e, enfim, conseguimos escapar da Praia do Aventureiro. 

Chegar ao Cais de Angra foi um alívio. O frio ainda era intenso naquele fim de tarde, e tínhamos aprendido a lição: Precisávamos confiar - ou pelo menos dar um pouco mais de credibilidade - às previsões climáticas. Tudo que queríamos agora era um pouco de sol, como nos primeiros dias de nossas férias. E aliás, era justamente isso que a meteorologia previa para os próximos dias!

Pegamos em Angra um ônibus para Paraty e seguimos rigorosamente nosso guia pão-duro da cidade. Com a noite caindo, ainda deu tempo de fazer algumas compras no mercado e seguir rumo à Trindade. Chegamos por volta das 21h na vila e fomos direto para o Camping da Tia Carmira (R$10pp). Não estávamos tão interessados assim em acampar, e sim em alugar uma das suítes que eles têm. Demoraram um pouco para nos atender por conta do horário, mas logo nos ofereceram uma suíte quentinha com banheiro, TV e ar-condicionado por R$60 (ou R$80, com café-da-manhã). 


Negociando, fechamos por R$50 o pernoite. E quase não deu para acreditar quando entramos no quarto, super aconchegante, com uma cama gostosa e até mesmo... toalhas limpas! Meu Deus, fazia tanto tempo que não tínhamos acesso a esses luxos! Após tantos perrengues, frio e desconforto, estávamos nos sentindo na suíte presidencial de um hotel 5 estrelas.

Felicidade é ter água, uma cama macia, chuveiro quente e toalhas limpas!

Tomamos banho, cozinhamos a janta em nosso fogareiro a gás e logo depois capotamos. Desfrutamos o sono dos justos em uma noite agradabilíssima - arrisco a dizer que foi uma das noites mais confortáveis da minha vida. Não nos preocupamos em acordar cedo e, quando enfim despertamos, tivemos a maravilhosa presença do sol naquela manhã! Arrumamos preguiçosamente nossas coisas e fomos montar nossa barraca no espaço destinado ao camping, na área livre logo em frente aos quartos.


Felizmente, dessa vez iríamos fica mais tempo fora da barraca do que dentro. Mal ajeitamos nossas coisas e partimos para a praia!



O clima estava bem mais ameno, mas o tal do vento sudoeste parecia estar com potência máxima! Nunca havíamos visto a Praia do Meio daquele jeito. Na água, somente surfistas. Ainda assim, era bem melhor do que estar no frio de Aventureiro. Aliviados com essa constatação, apenas admirávamos a força da natureza sentados na areia.



De volta ao Camping da Tia Carmira, fomos almoçar, achando curioso o fato de haver apenas uma única barraca hospedada por lá - a nossa. Pendurávamos nossas roupas recém-lavadas para secar, quando uma simpática senhorinha, andando a passos curtos e suaves, veio em nossa direção. Como uma perfeita vovó, ela abraçou-nos, quis saber de onde vinhamos, como estávamos, perguntou se não havíamos sentido muito frio na noite anterior ("Dormimos no quartinho ontem", "Ah, então tá bom!") e ainda falou que, caso precisássemos, poderíamos bater na porta de sua casa a hora que quiséssemos para pegar alguns cobertores.

Surpresos com tamanho carinho e hospitalidade, logo percebemos: Aquela senhorinha era ninguém menos que a Tia Carmira, em carne e osso. Só a conhecíamos de nome e havíamos sido atendidos pelos filhos e netos dela anteriormente, mas ter o prazer de recebermos sua atenção exclusiva foi um privilégio. Agora já não éramos só hóspedes, mas também amigos.

Após mais uma boa noite de sono (incrivelmente dentro da barraca dessa vez!), decidimos ir para Ubatuba, já que Trindade fica bem próximo à divisa do Rio com São Paulo. Pegamos um ônibus para Paraty (R$3,40), e de lá um ônibus para a Divisa de Ubatuba (R$3,40). Aliás, pegar esse último ônibus é uma experiência e tanto, já que, ao contrário do que se pode imaginar, o ônibus segue 1 km adentro após a divisa. Fotos na plaquinha divisória, nem pensar. Descemos no ponto final, em frente a um bar (com uma bela cachoeira aos fundos), e subimos no ônibus paulista (R$2,90) que fica por ali mesmo, com os horários sincronizados para pegar aqueles que chegam de Paraty e levá-los até ao centro de Ubatuba. 

Quase uma hora depois - em um ônibus incrivelmente lotado para o horário -, atravessamos uma parte desconhecida da Rio-Santos para mim e chegamos à bela cidade de Ubatuba.


Nossa primeira impressão da cidade foi muito positiva. Limpa, bem urbanizada e com uma rodoviária típica de cidades pequenas, suas ruas são espaçosas, sem muito trânsito aparente e cheias de sorveterias, uma do lado da outra! Além desses detalhes, nos chamou muito a atenção a quantidade gigante de pessoas se locomovendo de skate e bicicleta.

Passeamos um pouco por ali, contemplando a praia que vai margeando o perímetro urbano. Na Rua Guarani, uma das principais vias da cidade, vimos várias lojinhas com belos souvenires e obras de arte incríveis. Aproveitamos para almoçar no Restaurante Marlim Azul, em um ambiente familiar com uma comida muito gostosa a preço justo (R$2,79/100g).

O trópico de Capricórnio passa por aqui!

No alto de minha ignorância, acabei me surpreendendo com algo que eu não fazia ideia: o interessante monumento que indica a linha imaginária do Trópico de Capricórnio, já que este atravessa o território de Ubatuba. Bem neste ponto, todo dia 22 de dezembro de cada ano, ocorre o solstício de verão. Ou seja, o verão começa primeiro em Ubatuba!

Logo em frente, nos deparamos com uma das principais atrações da cidade, o Aquário de Ubatuba. A meia-entrada custa R$9, e vale cada centavo. Lá dentro, um mundo novo surge, repleto das mais variadas espécies aquáticas, que não se vê todo dia por aí.



Vamos adentrando os corredores, que mais parecem labirintos, apreciando cada viveiro que abrigam as mais bonitas - e estranhas! - criaturas.



Desde os peixes exóticos aos mais comuns, passando por lagostas e caranguejos, polvos e moreias, moluscos e medusas, não há um só ser d'água que não esteja ali presente.


E não para por aí, répteis e anfíbios também têm seu espaço.



E para nos encantar de vez, eles mesmos, os pinguins!



Só pra constar, esses são pinguins oriundos da Antártida, e não da Praia do Aventureiro!


Os bichos parecem se divertir por lá, pulando e comendo bastante - há até um horário reservado para a alimentação deles, onde as crianças podem jogar peixes.

Para aterrorizar, tan tan tan tan tan tan, os tubarões!


E logo depois, toda a fofura das estrelas-do-mar. Deixam até tocá-las!


A parte viva do aquário acaba por aí - e acredite, ela é bem extensa, dá para "perder" o dia todo por ali. Logo em seguida vamos para a parte mais conscientizadora do lugar, onde existem uma série de atividades para crianças e adultos aprenderem um pouco mais sobre sustentabilidade e o problema da poluição dos estuários.

Adianto desde já, é uma parte triste. Quilos de lixos inimagináveis coletados das praias da região são expostos, e o resultado disso tudo também: Animais mortos, sufocados e feridos por conta de toda essa sujeira.

Imagine andar na praia e dar de cara com o Fofão!

Filhotes de golfinho embalsamados

O passeio todo é uma verdadeira aula sobre as características e particularidades do ambiente marinho, seus desafios e soluções. Sem dúvida é um programa para todas as idades, duvido que alguém possa sair de lá insatisfeito, sem ter aprendido alguma coisa de útil.

Saímos de lá ainda de tarde e seguimos em direção à rodoviária. Nossa intenção era pegar um ônibus para uma das praias mais bonitas de Ubatuba, a Praia da Fazenda. Mas não era só por causa da beleza do lugar que queríamos ir até lá. Havíamos comprado uma caixa de bombons para entregar a D. Laura, uma importante personagem deste blog, presente na minha narrativa de quando pedalei do Rio até Ubatuba. Resumidamente, esta senhora foi uma mãe para mim ao me receber em sua casa de braços abertos, mesmo sem me conhecer, oferecendo me abrigo enquanto eu estava às vias de ser expulso do Parque Estadual da Serra do Mar.

Pegamos um ônibus cujo motorista garantiu que passaria por lá, mas no meio do caminho acabou percebendo o engano e nos abandonou na Praia da Almada, há uns 2km de distância. Revoltados, resmungamos um pouco, e acabamos concluindo o caminho andando pela estrada, mesmo.


Chegamos na Praia da Fazenda já no fim da tarde, e fomos seguindo pela areia até encontrar a casa.

Segurando a caixa de bombom na praia

Encontramos a casa, mas infelizmente a dona não estava. Chamamos, batemos palmas, até arrisquei abrir a porta - que estava destrancada! -, mas preferi não invadir a privacidade de ninguém. Apenas deixei então os bombons na entrada, com um cartãozinho colado preenchido de um recado, um agradecimento eterno, pelo tamanho carinho ao qual ele me tratou.

Na estrada novamente, nos demos conta que os horários entre os ônibus são muito espaçados. Anoiteceu, e ainda estávamos no acostamento, aguardando a condução que tardava a vir. Com tanta escuridão, era impossível enxergar algo, a não ser os faróis acessos dos veículos. Por sorte demos sinal ao ônibus correto, que em pouco tempo nos levava de volta à Paraty. Descemos no trevo de Trindade e de lá voltamos ao nosso aconchego no Camping da Tia Carmira.


E mais um dia bonito amanhecia em Trindade. Dessa vez, ficamos na Praia dos Ranchos mesmo, a mais próxima do camping - era só atravessar a rua!

Era nosso último dia de férias e escolhemos aquele belo dia para relaxar. Depois de muita praia, cozinhamos nosso delicioso almoço no fogareiro. Nunca imaginei que sardinha e feijão enlatado pudesse ser uma combinação tão boa!


Acordamos no outro dia com um misto de alegria e tristeza. Felizes por termos tirado um tempo só para nós dois. Enquanto o Papa visitava o Brasil e o Rio parava, estávamos bem longe de toda a confusão e tínhamos nossas próprias programações. E tristes porque tudo que é bom acaba, era hora de voltar pra casa.


E lá fomos nós subir a Serra do Deus-me-livre. Entre suas curvas que nos fazem suspirar, ora de medo, ora de admiração pela beleza ao redor, trocávamos sorrisos e abraços. Afinal, mesmo depois de tudo que passamos, estávamos nós dois ali, vivos, são e salvos, mas principalmente... unidos.

3 comentários:

  1. Como sempre, relatos fantásticos! Que venham os próximos!

    ResponderExcluir
  2. Aquela estrela no centro de ubatuba ao lado da pistinha de skate, foi meu falecido avo quem fez...
    Muito bom relato.

    ResponderExcluir

Comente, sugira, critique!