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sábado, 7 de setembro de 2013

São Paulo: Tudo que o Rio Nunca vai ser

Já tive a oportunidade de visitar a cidade de São Paulo algumas poucas vezes, a última já fazia uns quatro anos. Sempre fiquei maravilhado com aquele lugar – o clima, a arquitetura, o povo... Acostumado com o caos do Rio de Janeiro, as rápidas idas a São Paulo me mostravam um Brasil que eu não conhecia: mais organizado, moderno, e com gente trabalhadora.

Desde então, eu sonhava com o dia em que eu poderia voltar lá com mais calma...

...até que uma folga inesperada da minha esposa, aliada ao excesso de créditos no Bilhete Único de um amigo, foram a receita para uma decisão impulsiva e certeira: Era hora de arrumar a mochila e comprar as passagens de ônibus: Iríamos, eu e minha esposa, pela primeira vez juntos à São Paulo!

Decidimos isso por volta das 21h, e o ônibus que saia do nosso bairro rumo à SP partiria às 23h30. Corremos contra o tempo, e uma série de imprevistos pareciam querer nos atrapalhar: até minha bicicleta dobrável quebrou o quadro no meio do caminho para a rodoviária, atrasando ainda mais as coisas.

Felizmente tudo deu certo no final, e no horário combinado já estávamos devidamente alojados e confortáveis no ônibus da Viação 1001.

Após uma viagem em meio ao breu da Serra das Araras, das luzes fascinantes da Catedral de Aparecida e da artificialidade dos Graals no meio da estrada, chegávamos, enfim, por volta das 06h no Terminal Rodoviário do Tietê. E que me perdoem a divagação inútil, mas pra mim esse lugar é mágico! Com um frio que batia nos 8ºC, eu esfregava as mãos e soltava “fumacinha” pela boca, contemplando em meio ao saguão de desembarque aquele mar de gente, de todos os cantos do Brasil (e até da América Latina!), cada um com suas perspectivas, rotinas e planos para suas atividades na maior cidade do país.

Eu era um deles: Não era um imigrante nordestino nem boliviano, tampouco estava ali para uma reunião de negócios ou alguma importante transação comercial. Acompanhado da minha esposa, queria apenas respirar o ar daquela metrópole fascinante e conhecer um pouco mais do que ela poderia nos oferecer.

E nada de ficar refém de taxistas ou linhas confusas de ônibus. A rota de entrada e saída para boa parte das pessoas que passam pela rodoviária é a linha do metrô, que passa por dentro de suas instalações. Simples e genial. Uma fila gigante para a compra dos tickets já nos esperava, mas a agilidade e competência dos funcionários transformou o que seria uma longa espera em uma pausa de instantes.

O dia nascia na capital econômica do Brasil, e com ele, milhares de pessoas já se deslocavam pela manhã daquela sexta-feira no metrô – lotado, mas mil vezes mais confortável do que um metrô carioca nas mesmas condições. Veloz e frequente, logo chegamos na Estação da Sé, marco histórico da cidade e ponto inicial da nossa viagem.


A chegada, porém, foi um tanto diferente do que eu imaginava. Aparentemente a nova liderança política da cidade não vem cuidando muito bem das pautas sociais, porque a primeira imagem que tivemos da Praça da Sé foi desoladora: Tal como um cenário da série “The Walking Dead”, víamos nos arredores do lugar inúmeras pessoas em condições críticas de saúde física e mental, provavelmente por conta do uso de crack, vagando sem destino e falando sozinhos, alguns contorcendo-se brutalmente. Deitados em fileiras com seus cobertores - alguns até mesmo com barracas de camping (!) montadas, aquelas seres desnutridos e castigados pela vida, muitos ainda bem jovens, formavam uma imagem bem forte para as primeiras horas do dia.

Era o lembrete de que São Paulo, apesar de tudo que possui de bom, ainda é uma cidade brasileira.

Imponente, contudo, era a Catedral da Sé, com sua linda arquitetura, transmitindo uma paz tão necessária para o local. Demos sorte de encontrá-la aberta e fizemos uma rápida visita. Ao sairmos, fomos caminhando em direção ao Centro Antigo, que a cada minuto ia se enchendo de gente e tomando as formas de um formigueiro humano. Ainda não havíamos feito o desjejum e uma lanchonete nos chamou a atenção: “Pastel de Feira” era o seu nome - e serviam realmente o que o nome propunha. Em pleno centro de São Paulo, provávamos uma iguaria de qualquer subúrbio ou interior, mas muito bem servida e incrivelmente barata. Desnecessário dizer que o atendimento e a limpeza eram exemplares, ao contrário dos estabelecimentos do mesmo tipo no Rio.

Esticando as pernas, logo chegamos nas proximidades do bairro da Liberdade, reduto oriental da cidade, com direito a lojinhas com letreiros em japonês e detalhes arquitetônicos típicos. Ao passarmos sobre um viaduto, a fila de carros já formava um grande engarrafamento, que praticamente nos dizia: Bem-vindos à São Paulo!


Ao decidirmos ir para a cidade, sabíamos de antemão que iríamos ficar na casa de parentes da minha esposa, aos quais faríamos uma surpresa com nossa visita. A ideia então era pegar o metrô novamente, desta vez para o distrito de Artur Alvim, na Zona Leste, lugar ao qual sempre ouvimos os paulistas falarem que era “no fim do mundo”, longe de tudo, e por isso achávamos que seria uma longa viagem.

Ledo engano. O metrô demorou pouco mais de 20 minutos no trajeto até à estação desejada. Só para fins de comparação, no Rio, uma estação localizada à 20 minutos do Centro é considerada como muito bem localizada, perto de tudo. Hmpf, "longe". Longe mesmo moram os cariocas de todos os lugares, que independente de residirem na Zona Oeste, Norte ou Sul, demoram em média mais de uma hora pra chegar no trabalho ou em casa, seja de trem, metrô ou ônibus, geralmente por ineficiência do serviço, mesmo.

Em Artur Alvim, conheci pela primeira vez o que pode ser considerado o subúrbio paulistano. Apesar dos BNHs, mercadinhos, pequenos comércios e ambiente tipicamente residencial, o tal do “lugar afastado” era muito melhor do que muito “bairro nobre” do Rio de Janeiro, se é que isso existe.

Antes de chegar à casa de nossos anfitriões, ainda tive a oportunidade de saborear o que, pra mim, foi uma novidade: Salgadinhos de R$0,50! Uma variedade enorme de coxinhas, esfihas, risoles e pasteis se apresentavam, acompanhados de refrescos pelo mesmo valor, como uma interessante opção de lanche. Com tamanho ligeiramente menor do que os salgados tradicionais, ainda assim ficamos satisfeitos com a tríade de qualidade, variedade e bom atendimento que encontramos em praticamente todos os estabelecimentos da cidade.

Bem instalados, conversados e almoçados, ofereceram-se para um pequeno tour pela cidade. E lá fomos nós em direção à Estação da Luz!


Conhecemos não só a bela estação, da qual partem trens turísticos em direção ao interior que um dia eu gostaria de embarcar; como também ainda passeamos por seus arredores, conhecendo a entrada do Museu da Língua Portuguesa e a Praça da Luz.

Mas o tempo passava depressa e nossa intenção era conhecer mesmo o tão famoso Mercado Municipal da cidade. Um lugar bem cheio, é verdade, mas com uma variedade enorme de coisas para se ver - e comer! Frutas desidratadas (torrei R$7 em 100g de Kiwi e não me arrependo, maçã e morango também são ótimos), exóticas, algumas importadas, com um preço salgado mas de sabor bem doce. Alguns vendedores oferecem degustação do produto e vale a pena experimentar.

Mas nossa dúvida maior mesmo ficou por conta dos duas mais famosas iguarias do Mercadão: O pastel de bacalhau e o sanduíche de mortadela. Ambos são bem caprichados e servem como uma refeição até mesmo para duas pessoas. O preço fica em torno dos R$13. Acabamos optando mesmo pelo pastel, que era delicioso e muito bem servido. Saímos satisfeitos.

No caminho, ainda passamos pelas famosas ruas Santa Ifigênia (paraíso dos produtos de informática e eletroeletrônicos) e a 25 de Março, bem maior do que o Saara, sua correspondente carioca, com uma gama incontável de produtos à venda para todos os bolsos.

Terminamos o dia seguindo novamente para o centro, desta vez pisando no Viaduto do Chá, onde a canção da banda Joelho de Porco passava insistentemente pela minha cabeça:

Andando nas ruas do centro / cruzando o Viaduto do Chá /
eis que me vejo cercado / trombadinhas querendo me assaltar”

Mas é claro, ao contrário da música, o que vi por ali foi o ambiente frenético do fim de tarde paulistano, como todos seguindo apressadamente para casa, enquanto alguns artistas de rua faziam suas apresentações, atraindo os apressados que por ali passavam.

Que dia cheio! E pensar que havíamos chegados na cidade ainda aquela manhã. Descansamos profundamente na cama quentinha que nos ofereceram, aguardando ansiosamente pela programação do próximo dia.

17 de Agosto de 2013 – O dia da comilança!

Acordamos ainda sonolentos e comemos um delicioso pão quentinho de uma típica padoca paulistana. Ainda não tínhamos nenhum roteiro definido, mas resolvemos seguir uma antiga sugestão do meu cunhado e visitar o Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu.

Dessa vez só o metrô não supriria nossas necessidades de deslocamento. Precisaríamos pegar um ônibus também, e o preço da passagem começaria a pesar. Valeria mais a pena ter um Bilhete Único de SP, mas como seria esse processo? No Rio, eu teria que pegar uma fila, comprar um cartão em um posto autorizado, cadastrá-lo na internet com meus dados pessoais em um burocrático processo para desbloquear, e só depois de umas 48h ele estaria apto a realizar integrações intermodais que reduziriam o valor da passagem. Em SP, porém, uma agradável surpresa: Em cada estação do metrô, um pequeno guichê não só realizava cargas nos cartões, como também fornecia novos, que funcionam na hora fazendo a integração!

Incrível, em menos de 1 minuto tínhamos um problema resolvido que no Rio demoraria no mínimo 48 horas. Se antes eu achava que o Rio era uma cidade provinciana e completamente sem estrutura, agora eu tinha certeza.

Descemos na Estação da República, onde uma simpática feirinha estava à mostra. Obras de arte, vestuários personalizados e até mesmo algumas roupas de frio baratas, de origem boliviana. Em outra ocasião eu até compraria, mas naquela ocasião não sentíamos tanto frio assim. Não que o clima estivesse quente, longe disso, mas aprendemos com algumas péssimas experiências do passado que não usar a roupa adequada para o clima pode acabar até mesmo com a viagem dos sonhos. Havíamos comprado uma segunda pele e um fleece que deram conta do recado, mantendo bem o calor do corpo enquanto a temperatura externa ficava na casa dos 12ºC. Na verdade, só sentíamos o frio pela mão, que às vezes congelava com o vento.

Já no ônibus, percorremos um rápido caminho entre ladeiras e curvas em calmas ruas residenciais, e logo chegamos na praça Charles Miller, em frente ao estádio, que se preparava para receber um jogo nas próximas horas. 


Na frente do estádio, mais uma feirinha. Dessa vez, com alimentos típicos, desde as verduras e frutas, até peixes e o onipresente pastel com caldo de cana. E não é que encontramos ali o melhor pastel de São Paulo? Era a tradicional Barraca do Zé, com seu pastel premiado e muito, muito gostoso.


Seguimos em direção ao museu, que fica nas dependências do Pacaembu - na verdade, aproveitando um espaço vago embaixo da arquibancada. A entrada é bem sinalizada o ingresso custa R$6 (inteira). Tivemos mais uma surpresa ao apresentarmos nossas carteirinhas para pagar meia: Como minha esposa é professora da rede pública, ela tem direito a entrar de graça com mais quatro acompanhantes na faixa. Uhu! Ficamos tão alegres que por pouco não chamamos mais umas três pessoas da fila pra entrar com a gente de graça também.


O museu é fascinante e sua entrada, por si só, já é uma atração. Escudos e brasões de times do mundo inteiro preenchem as paredes, e um telão estreito em LED com o Pelé em tamanho real dando as boas-vindas em três idiomas diferentes é o cartão de visitas. Welcome to the football museum, entende?

Lá dentro, um ambiente que é capaz de emocionar a qualquer um, até mesmo quem não é tão aficionado pelo esporte, como eu. Narrações históricas, fotos marcantes e quadros com informações sobre os maiores atletas do futebol estão presentes, em formatos multimídia e interativos.

Algumas partes são mais marcantes, como a exposição de fotos "O Jogo e o Povo", com registros fotográficos que contam a história e as origens do futebol no Brasil. Imperdível. Ainda há um salão rústico, com a estrutura da construção do estádio à mostra, onde gravações de gritos de guerra e cantos das torcidas invadem a alma através de um som altíssimo, sincronizado por um telão que traz à tona toda a grandiosidade do esporte e a paixão que ele representa para muitos.


Mas a minha parte preferida mesmo foi o salão interativo com telas digitais que mostram imagens de todas as copas do mundo, em ordem cronológica. Uma verdadeira aula de história, que não se restringe somente ao futebol, mas passa por diversos momentos da humanidade, focando desde a política até a cultura pop.


O Museu ainda disponibiliza um acesso controlado ao interior do estádio, onde é possível visualizar o campo e sentir um pouco do clima futebolístico local.


Dentre outras coisas, o museu ainda tem uma sala de jogos onde pode-se disputar uma partida de totó/pebolim, e uma sala com "a história contada do futebol", onde é possível visualizar chuteiras, camisas e bolas de diversos times e campeonatos, bem como ler mais a respeito dos recordes do esporte e seus principais nomes.

Na saída, ainda nos surpreendemos com uma reprodução 3D de um campo de futebol, uma espécie de videogame onde o objetivo é marcar um gol no goleiro virtual. Fiz o meu, e ainda levei de brinde uma foto retirada pelos próprios funcionários do museu, que fica disponível depois no site.


Uma experiência magnífica num dia absolutamente inesquecível. 

Na saída do museu, já em frente ao estádio, notávamos a grande movimentação de torcedores do Palmeiras para o jogo contra um time internacional de pouca expressão. Seguimos em direção a Av. Paulista, de acordo com as coordenadas dadas pelas pessoas que perguntávamos. Após uma grande subida, lá estávamos nós diante da avenida mais famosa do Brasil.

A "Paulista", para os mais íntimos, é a definição perfeita de uma selva de pedra. Está tudo lá: os prédios enormes, as pessoas para todos os lados, o comércio muito bem desenvolvido e até mesmo alguns parques, que quebram a monotonia cinza. Difícil dizer que parte é mais bonita. Na dúvida, perca-se no vão do MASP, nas livrarias gigantes e nas inesperadas lojinhas populares em liquidação.

Andamos por ela até as proximidades do Shopping Paulista, onde resolvemos entrar para fazer um lanche, já que planejávamos mesmo jantar em alguma pizzaria.

Lá dentro, acabamos exagerando na dose e comemos muito. Começamos experimentando comida japonesa pela primeira vez, com direito a lacrimejamento por ingestão exagerada acidental de Wasabi e tudo o mais. Também não resistimos ao encanto de "O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo", uma franquia lusitana que cumpre o enunciado. Essa brincadeira saiu por R$10,90, mas tratava-se de um bolo especial, sem adição de farinha e fermento, com um sabor mais do que especial. Sem dúvidas valeu a pena.

Satisfeitos, mas indiferentes ao pecado da gula, ainda tivemos coragem de ir à doçaria Amor aos Pedaços, em pleno Festival do Morango. Comemos uma fatia generosa de uma deliciosíssima torta de chocolate com castanha e morango, muita gostosa, mas tão cara que quase deixou nosso amor em pedaços, mesmo. Saímos de lá com um misto de satisfação e certo pesar na consciência...

Praticamente já havíamos exterminado nossa fome e o plano de ir comer uma típica pizza paulistana estava indo por água abaixo... Mas, pensando bem, não precisávamos ir à um rodízio, tampouco comer uma pizza inteira. E foi aí justamente que lembramos da indicação da Pizzaria do Angelo, um lugar onde poderíamos comer pizzas por fatia!

E lá fomos nós de metrô novamente, dessa vez até a Estação da Mooca. Com mais de 40 anos de tradição e eleita por 8 anos seguidos a melhor pizza da cidade, a Pizzaria do Angelo não tem muito glamour: Apesar da parte interna, convidativa, a maioria dos clientes prefere fazer seus pedidos na parte externa do balcão, comendo em pé. E foi lá mesmo que devoramos duas enormes - e recheadíssimas - pizzas: muçarela de búfala com rúcula e tomate seco e a "Maravilha", sabor da casa, caprichada no alho frito. Simplesmente uma delícia... E nem saiu tão caro quanto imaginávamos. Cada fatia, tão grandes que valeriam por uma refeição, saíram por menos de R$5 cada. Além do sabor, nos impressionou o atendimento ágil e simpático. Apreciadores de caixinhas, os garçons tocam um alarme ensurdecedor quando algum cliente amigo resolve merecidamente colaborar. 

Ufa, chega! Tão gordos quanto a Adele e praticamente rolling in the deep, andamos pela Mooca - um pouco mal iluminada pro meu gosto - até a Estação, de volta à Artur Alvim.

Chegando em casa, mais um convite repentino dos anfitriões: "Que tal visitar o Parque do Ibirapuera"? Especialmente naquele fim-de-semana, estaria acontecendo a Virada Ambiental, e alguns parques estariam abertos 24h com programações especiais. É claro que aceitamos! De carona, lá pelas onze da noite chegávamos ao Parque, prontos para passarmos a noite acordados curtindo tudo o que havia para ser feito.

Infelizmente, na nossa humilde opinião, faltou um pouquinho de "gás" no evento, ao menos nesse parque. Assim que chegamos vimos boa parte do público indo embora - havia uma palestra em um auditório com alguém famoso, que tinha acabado naquela hora. O tempo foi passando e logo nos vimos em pé na marquise do Ibirapuera, entediados, após já termos andado em algumas ruas escuras do parque e visitado os poucos estandes ali presentes. Entre ciclistas e skatistas, quem se destacava na marquise era um grande número de rapazes que jogavam hockey sobre patins. Um espetáculo raro de um esporte pouco difundido no Brasil.

Ainda assim, não era o suficiente para prender nossa atenção e resolvemos ir embora. Com a ajuda das informações de um grupo de policiais e logo depois, de alguns garis (que limpavam a rua aquela hora da noite!), chegamos ao ponto de ônibus onde poderíamos pegar uma condução que nos deixasse na estação de metrô mais próxima. Já passava de 0h30 e, em nossa companhia, apenas alguns jovens punks que acampavam em frente à Alesp, com suas barracas pichadas com o símbolo do anarquismo. Bebendo, fumando e fazendo pequenos Clubes da Luta entre si, os rapazes - e algumas moças - transmitiam mais energia e jovialidade do que perigo propriamente dito. Àquela hora da madrugada, onde já não tínhamos certeza se ainda haveria metrôs circulando, passar a noite com eles não me parecia uma opção tão ruim assim.

Enquanto ainda ajustávamos nossos pensamentos, um ônibus enfim apareceu. A cobradora garantiu: os trens funcionariam até às 01h naquela madrugada. Mas será que daria tempo de chegamos até a próxima estação no horário? O motorista pareceu adivinhar nossos receios e acelerou bastante. Sem nenhum grande movimento nas ruas, chegamos rápido, mas em cima da hora - 0h55 - na Estação Paraíso. Foi o tempo de pagarmos as passagens, avançarmos a roleta e logo vimos o vagão se aproximando... No sistema de som, a voz da locutora anunciava: "Prezados clientes, informamos que a circulação de metrôs se encerrará dentro de alguns minutos".

Enfim, a salvos. Dentro do metrô, só a gente.


De tão vazio, dava medo. Agradeci a Deus por não estarmos no Rio, onde, em uma situação semelhante, provavelmente as luzes piscariam, a locomoção pararia e o espírito do Brizola apareceria para nos assustar.

Trem deserto. Experiência medonha, mas podia ser pior.


As estações iam passando e, já sabendo que teríamos de voltar no outro dia para o Rio, começávamos a sentir aquele misto de saudade com nostalgia típicos de uma despedida lenta, gradual e indesejada. Aqueles poucos dias na maior cidade do país certamente nos marcariam para sempre.

Apesar de todos os problemas comuns à uma metrópole, São Paulo é, na minha opinião, a verdadeira "Cidade Maravilhosa". Mais do que viver de glórias passadas, ela se recria todo dia através de um presente pujante, ao mesmo tempo que cria um futuro promissor, com planos e metas que me fazem quase não acreditar de que esta cidade, com um povo trabalhador e de organização ímpar, ainda faça parte do Brasil.

Até breve, São Paulo!

2 comentários:

  1. Muito legal... achei muito interessante da visão que ficou da cidade de São Paulo... sempre leio seu blog de forma anônima. Mas me diverti muito lendo seu texto e as comparações entre São Paulo x Rio de Janeiro... as duas cidades são maravilhosas... e seus munícipes também são sensacionais... conheço ambas e realmente são cidades equivalentes em pontos positivos... cicloabraços

    Joaozinho (Santo André-SP)

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  2. Belo relato! Rs... Mas tenho a sensação que os elogios e as impressões que você tem da cidade por ser turista, e não viver nessa loucura que é o dia a dia de SP! Me identifiquei muito com seu relato pois tive a mesma sensação quando visitei a cidade do RJ, gostei de tudo (ou quase tudo), talvez por não ter a bagagem de viver o dia a dia, ver seus problemas e mazelas. Da próxima vez que vier em SP e quiser pedalar, me avise ok? Christoffer - SP

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